Na Bolsa, as fases de alta são intercaladas por momentos de baixa
Após acumular alta superior a 70% neste ano, a Bovespa recuou cerca de 10% nos últimos dez dias. O que deu errado? Afinal, nos últimos meses, as notícias vêm destacando a recuperação e as boas perspectivas da economia brasileira e, por tabela, da Bolsa.
Ora, não há nada de errado. O mercado de capitais tem ciclos. Atravessa períodos ruins, como a queda acentuada vivida no ano passado, quando o pregão foi afetado pela crise gerada nos EUA.
E, mesmo em períodos de alta, como o atual, a Bolsa sofre oscilações. As cotações sobem e descem ao sabor dos negócios feitos pelos investidores, que tomam decisões apoiados em projeções sobre os lucros que as companhias vão conseguir. E, também, são influenciados por uma infinidade de notícias.
Se muitos investidores passam a comprar ações, os preços sobem. E, caso muita gente tente vender, elas se desvalorizam. Foi o que aconteceu nos últimos tempos. O motivo para isso, acredite, é justamente o fato de a Bolsa ter subido bastante e rapidamente. Ou seja, é realização de lucros: quem comprou ações meses atrás passa a vendê-las, agora, para embolsar o ganho da valorização.
Esse movimento tem sido feito principalmente por investidores estrangeiros. Não é de se estranhar. Fazendo as contas em dólar, a arrancada da Bolsa brasileira foi ainda mais notável _ mais de 120% neste ano. O dinheiro mais que dobrou de tamanho! E, se faltava um motivo para desencadear a realização de lucros, ele veio com o imposto sobre capitais estrangeiros, estabelecido pelo governo a fim de moderar o forte fluxo de dinheiro para o país.
Daí, na medida em que muitos vendem as ações, pressionando as cotações para baixo, novas oportunidades surgem, pois os papéis ficam baratos. É possível comprar na baixa para vender na alta.
Decisões desse tipo _qual o momento certo para sacar a aplicação e embolsar os ganhos ou assumir perdas_ fazem parte do dia a dia dos investidores profissionais, lembra a economista e psicóloga Vitória Dietrich, autora do livro “Comprar na baixa e vender na alta – Eis a questão: o encontro da razão, dos sentimentos e do inconsciente no mercado de ações” (editora Ciência Moderna).
Para investidores gente como a gente, diz ela, o problema é não conhecer bem o mercado e se deixar levar por sentimentos como ganância ou pânico, que nos levam a aderir ao “comportamento de manada” e não a manter a própria estratégia de investimento. É o predomínio desses sentimentos que nos leva a comprar na alta e vender na baixa, exatamente o oposto do que se deve fazer.
Contra essas decisões equivocadas, as armas do investidor são planejamento _comprar aos poucos e com horizonte longo de investimento_ e cuca fresca para entender que tudo que sobe demais, em algum momento, precisa cair um pouco.
Por: Juliana Garçon
Fonte: Bovespa
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